O otimismo de Steven Pinker

 

Para qualquer pessoa que lê jornais os dramas do mundo atual são infindáveis. A guerra civil na Síria prolonga-se há sete anos. Outro lunático armado com um fuzil fez um novo massacre em uma escola nos EUA. O tom do debate político poucas vezes foi tão agressivo e hostil como hoje.

As notícias ruins impedem que as pessoas avaliem o progresso da humanidade, queixa-se Steven Pinker. É preciso usar números para ter uma visão real do mundo, disse. E com o uso de números Pinker descreve em seu novo livro, Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism and Progress, a evolução dos seres humanos, não traduzido ainda. Bill Gates (Microsoft ) disse ser esse “o meu livro favorito de todos os tempos” e o livro vem recebendo críticas positivas das maiores revistas e jornais do mundo inteiro.

Segundo o autor, o mundo é cerca de 100 vezes mais rico do que há 200 anos e, ao contrário da crença popular, a riqueza é distribuída de maneira mais uniforme. O total de mortes nas guerras por ano representa menos de um quarto das mortes na década de 1980 e 0,5% do número de pessoas que morreram na Segunda Guerra Mundial. Ao longo do século XX, 96% dos americanos correram menos risco de morrerem em um acidente de automóvel, 92% têm menos chances de morrer em um incêndio e 95% têm menos probabilidade que aconteça algo fatal no local de trabalho.

O progresso tem sido extraordinariamente rápido. A grande maioria dos americanos de classe média baixa tem acesso a luxos ignorados pelas famílias riquíssimas dos Vanderbilt e Astor há 150 anos, como eletricidade, ar-condicionado e televisão. Os vendedores ambulantes do Sudão do Sul têm celulares modernos. Os novos medicamentos e as condições sanitárias permitem que as pessoas tenham vidas mais longas e saudáveis. A tecnologia também proporciona mais lazer preenchido por inúmeras fontes de entretenimento, como a Amazon e a Apple.

As pessoas estão desenvolvendo mais a inteligência. Em todos os lugares do mundo, as pontuações de QI aumentaram em 30 pontos nos últimos 100 anos. Como explicar esse fenômeno, uma vez que a inteligência é em grande parte genética? A resposta seria uma nutrição melhor (“os cérebros são órgãos gulosos”) e mais estímulo. As crianças frequentam mais as escolas do que em 1900, enquanto no ambiente familiar e social, o pensamento analítico é incentivado por uma cultura que se apoia em símbolos visuais, ferramentas analíticas e conceitos acadêmicos.

Alguns leitores terão uma visão crítica desse otimismo efervescente. Afinal, somos mais ricos, mas a competição faz com que as pessoas queiram ter ainda mais bens em uma angústia existencial crescente. Temos acesso a computadores de tecnologia de ponta, porém eles estão causando uma epidemia de solidão entre os jovens.

Mas o otimismo de Pinker é inabalável. O populismo, em sua opinião, é um fenômeno passageiro. A razão está superando as crenças religiosas. O instinto humano para solucionar problemas é poderoso. Assim, com exceção de um ataque de asteroides ou uma guerra nuclear, o mundo continuará a progredir.

 

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